O autor começa
traçando os objetivos do artigo, que seria o Brasil contemporâneo,
particularmente o período pós-ditadura, com a transição democrática
e as reformas educacionais desenvolvidas, abordando o ensino da
filosofia neste contexto.
Em seguida, cita a
lei de segurança nacional, onde inicialmente e AI-05 (Ato
Institucional n. 05, de 1968), orientou todo o programa de ensino
do país. Segundo o autor, passaram quase duas décadas para explicar
ao que nos remete aos problemas de formação intelectual do
brasileiro;
O autor continua
narrando uma situação em que um aluno seu, de 11 anos de idade,
teria detestado a idéia de pensar em Sócrates, e sobre o mito de
Teseu e o minotauro, numa aula de filosofia do ensino fundamental.
Segundo ele, os jogos de computador teriam vencido a liberdade do
espírito crítico dos alunos, pois os jogos estão largamente dotados
de tecnologia criativa, aglutinando todo um universo de personagens
como cavalheiros, serial killers, dragões cuspindo fogo, etc; O
mesmo aluno teria acusado o professor, afirmando que sua aula seria
“chata”.
O autor, ainda
comenta que se o capitalismo econômico não fosse tão predatório,
estes jogos poderiam ser desenvolvidos para situações “menos
democráticas”. Ainda aliada a isso, existe a situação da
falta de estímulo à leitura, o que teria levado à uma situação de
distanciamento da subjetivação do conhecimento no pensamento
filosófico. Justamente este pensamento seria capaz de recriar a
inventividade e sensibilidade furtada pelos
games;
O que observamos,
é uma atual falta de interesse pela filosofia por parte de alunos e
outras pessoas em geral, em uma sociedade onde as questões
reflexivas e subjetivas deram lugar à uma gama de tecnologias
digitais, em situações onde o ser humano quase não precisa
pensar.
Para Paulo, o
pensamento técnico, dotado de outras fontes cognitivas, em grande
parte desconhecidas pelo educador acerca de seus efeitos futuros no
imaginário coletivo. A grande pergunta seria: qual o futuro da
reflexão frente a outros modelos cognitivos e
referenciais?
O autor informa
que não devemos esquecer a importante análise de Foucalt (1999) ao
mencionar os dispositivos discursivos de poder, entendidos como
instrumentos de controle social. Segundo ele, os sentidos humanos,
quando não trabalhados para o sensível, podem mecanizar os
sentidos, prejudicando a própria subjetividade emotiva do ser, na
qual determinados setores da psicologia preferem tratar como falta
de inteligência emocional;
Somente a partir
dos anos 1990, começa haver movimentação da sociedade civil para
reformas no ensino. O ensino da filosofia demoraria um pouco mais,
somente vindo a ter relativa popularidade no início dos anos 2000,
no antigo segundo grau;
Lembra o autor, ao
cita a antiga disciplina OSPB (Organização e Social e Política do
Brasil), foi um método ideológico implantado pelos militares no
currículo do ensino médio e fundamental para substituir disciplinas
como História, Geografia e a própria Filosofia. Segundo ele, o
caráter ideológico desta disciplina não priorizava o senso de
reflexão, mas sim reforçava a assimilação mecanicista nas escolas.
Uma disciplina como a filosofia, que incentivava o senso crítico e
reflexivo do ser humano, não seria interessante para um regime
militar, onde o que se deseja é a dominação dos cidadãos através do
poder;
O professor, em
seu texto, enfatiza que em suas aulas utiliza as fábulas e
histórias (dentre elas as de Esopo e La Fontaine), para estimular
os seus alunos em filosofar. Termina dizendo que os educadores
devem buscar novas possibilidades para trabalhar em sala de aula a
filosofia, e que o educador deve procurar se converter em um
contador de histórias, para tornar o estudo mais
atrativo.